Vereador
Aurélio Miguel critica ação do Governo em relação ao terrível trânsito da capital
paulista
29/05/2008
O SR. AURÉLIO MIGUEL (PR)
(Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, Srs, Vereadores, Sras. Vereadoras,
telespectadores da TV Câmara São Paulo, venho a esta tribuna para falar do caos que se
encontra a cidade de São Paulo em relação ao trânsito.
Ontem tinha um compromisso no Jabaquara às 19h30min. Saí do Butantã às 18h30min. Às
19h30min ainda estava na Avenida Juscelino Kubitschek.
Falam que a cidade de São Paulo vai parar. A Cidade já parou há muito tempo. Vejo que
esse problema se deve a falta de investimento em infra-estrutura, no transporte coletivo -
tanto nos corredores segregados como no metrô.
O Governo do Estado iniciou a linha quatro e logo iniciará a linha seis, que é
importantíssima. Porém, a Cidade vive um grande dilema: o que vamos fazer para melhorar
a qualidade de vida de todos nós, paulistanos? Do jeito que a coisa está indo, não
quero viver mais nesta Cidade. Ficamos irritados, nervosos e descontamos no próximo.
Há algumas soluções que acredito que podem ajudar bastante. Primeiro, os grandes
empreendimentos que ocorrem na Cidade, na verdade, deveriam dar uma contrapartida em
relação ao pólo gerador de tráfego que é criado em função desse grande
investimento.
Nos debates da Comissão de Estudos dos Pólos Geradores de Tráfego, lembro-me que
fizemos uma proposta - e na época a CET estava aqui representada - que deveria ter um
percentual do valor do investimento daquele empreendimento, 3%, 5%. A CET naquela ocasião
disse que não conseguiria realizar essas obras, que não tinha competência para isso.
Isso é uma vergonha! Não importa se é Governo Kassab ou Serra. É o governo dizendo que
é incapaz de realizar essas obras necessárias para melhorar o tráfego na região desse
grande empreendimento.
Há um projeto da Comissão que está tramitando - composta pelos Vereadores Donato,
Adilson Amadeu, Lenice Lemos - que estabelece um valor de 3% ou 5% do valor do
empreendimento.
Segundo, a Prefeitura é que tem de fazer essas obras e 2,5% dos recursos iriam para um
fundo de transporte coletivo, investimento em Metrô, vias públicas da cidade de São
Paulo e entorno daquele empreendimento.
É fundamental que façamos alguma coisa porque do jeito que estão as coisas na Cidade,
tenho minhas dúvidas. Justamente lá onde fiquei parado, na Juscelino com a Funchal vai
sair um grande empreendimento, as torres da CESP e mais um shopping center, ou seja,
aquilo vai ficar um caos. Então, realmente, se não houver um investimento pesado na
infra-estrutura, tudo aquilo vai parar.
Muitos países mexeram na infra-estrutura de suas principais cidades. Por exemplo, na
Espanha vi isso. Sou filho de espanhóis e vou àquele país muitas vezes, assim como a
Portugal. A transformação que houve nesses dois países depois que entraram no Mercado
Comum Europeu foi fantástica, gritante, investiram em viadutos, vias, passagens aéreas e
subterrâneas. Hoje você vai a Lisboa, é maravilhoso, você entra e sai da cidade com
uma facilidade enorme.
Então, é um tema sobre o qual todos devemos nos preocupar, principalmente o Executivo.
Por exemplo, inauguraram agora aquela ponte estaiada maravilhosa, a ponte sobre o Rio
Pinheiros que será um cartão postal da Cidade, só que esqueceram de abrir o outro lado
da via, a Água Espraiada. Tem de fazer a desapropriação dos imóveis para construir o
túnel. A desapropriação vai custar por volta de 400-450 milhões de reais, e mais o
custo da obra, 200-250 milhões. Ora, sobraram 200 milhões da Operação Urbana Água
Espraiada, afinal não adianta fazer um viaduto bonito, maravilhoso, com um grande fluxo
de veículos e engarrafar todo o trânsito no Jabaquara temos de deixar fluir o
trânsito. Outra coisa, uma via importante como aquela, com tantos veículos, por que
tantos semáforos? Deveria haver passagens para não haver interrupção do fluxo para a
Rodovia Imigrantes, Av. dos Bandeirantes, bairros da zona Sul, etc.
Então, infelizmente, São Paulo passa por um momento difícil e todos temos de nos
debruçar sobre a matéria, nobre Vereador Roberto Tripoli, caso contrário e
V.Exa. sabe porque trabalha com meio ambiente -, a poluição vai aumentar muito, pois os
carros ficam parados produzindo monóxido de carbono.
Eu, como paulistano, amante desta Cidade, tenho uma preocupação muito grande: quero
continuar morando aqui, mas não neste caminho que estamos trilhando.
Obrigado. |