Aurélio Miguel questiona
critérios das entidades que acompanham os trabalhos
do Legislativo Municipal
(discurso referente
à sessão de 22 de outubro de 2008 encaminhado por escrito para
publicação)
23/10/2008
Tenho
insistentemente criticado a postura conformista e pouco participativa de
parte da população paulistana e brasileira em geral. É um preocupante o
eleitor sair de casa e se encaminhar para o seu local de votação sem
saber em quem votar. Já vi gente escolhendo seu candidato entre os
papéis espalhados no chão. Certamente, passado um tempo ele não se
recordará o nome de seu escolhido e ficará impossibilitado de fazer
cobranças.
Como vereador eleito, espero que os paulistanos fiscalizem e cobrem o
trabalho dos brasileiros conduzidos ao Poder Legislativo. Considero
salutar que entidades não governamentais também façam esse trabalho,
despertando na comunidade essa responsabilidade. Mas é preciso tomar
muito cuidado quando se chega ao ponto de destacar notas de avaliação
relativas ao desempenho dos vereadores.
Colegas desta Câmara Municipal tem se manifestado neste plenário no
sentido de reclamar das avaliações a tem merecido desses organismos. E
com razão. Os critérios utilizados são subjetivos e nem sempre claros o
suficiente para que se possa identificar suas reais intenções.
Basta um item para demonstrar o quão inadequado é o sistema de avaliação
dessas entidades. São quesitos elitistas, demonstrando que trata-se de
uma avaliação realizada sob a ótica de uma parcela da população, a
melhor colocada socialmente. Não é a toa que esses institutos, com o
apoio de parte da Imprensa, considera que os Projetos de Lei que dão
denominação às ruas da cidade são de baixo impacto para a cidade.
Certamente essas pessoas residem em ruas que têm nome e número. Quem
gosta de morar numa rua que não tem nome? Por acaso morar na periferia
diminuí os direitos de um cidadão? Fazer valer esses direitos ao cidadão
menos favorecido é de baixo impacto?
Caros, é preciso que essas entidades ditas fiscalizadoras sejam mais
claras nos seus objetivos. É necessário que elas se manifestem quanto
aos métodos que utilizam. É preciso que expliquem à comunidade os
critérios escolhidos para definirem quais são os bons vereadores desta
cidade. É preciso que seja dito o nome do dono da verdade que separa o
joio do trigo na Câmara Municipal. E em nome da transparência, seria bom
também saber quem é o dono do dono da verdade.
Fico a espera de uma resposta dessas organizações. Enquanto isso,
prefiro ficar com o julgamento das urnas. E seguindo o roteiro de
trabalho que considero o ideal para um vereador honrar seu mandato:
fiscalizar o Executivo, apresentar Projetos de Lei; ser intermediário
junto ao Executivo de anseios da população; e utilizar os mecanismos
oferecidos pela Câmara Municipal para melhor entender e traduzir a
cidade a seus cidadãos.
Obrigado!
Aurélio Miguel
Vereador |