SESSÃO: 394-SO
1709/2008
O SR.
AURÉLIO MIGUEL (PR) – (Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, Sras. e
Srs. Vereadores, público presente e telespectadores que nos acompanham
pela TV Câmara São Paulo, venho falar hoje de um tema que inclusive
estou defendendo em relação à cidade de São Paulo, que é a Água
Espraiada.
A Prefeitura - talvez
forçada pela Defensoria Pública - pretendia tirar as famílias do Jardim
Edith para uma outra localidade e também em outros estabelecimentos ali
da Água Espraiada.
A Defensoria Pública
interferiu. Pelo fato de a Prefeitura ter sido pressionada, talvez
esteja pensando em fazer habitações populares, em plena Operação Urbana
Água Espraiada.
Coincidentemente, estive
ontem com o Sr. Secretário de Governo, para tentar persuadir S.Exa., a
fim de colocar essas habitações de interesse social um pouco mais
adiante ou na linha do trem espanhol, que atende às regiões de Jaguaré,
até o extremo da cidade, chegando a Interlagos. É um trem de nível, com
qualidade muito grande. Aliás, creio que hoje é melhor do que o metrô da
cidade de São Paulo. Digo isso porque andei lá, por diversas vezes. Faço
questão de ler uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo de hoje,
quando o editorial pensa um pouco comigo: “O direito à cidade
A Prefeitura de São Paulo
firmou acordo com a Defensoria Pública do Estado para transformar em
conjunto habitacional a Favela do Jardim Edite, na Avenida Jornalista
Roberto Marinho, no Brooklin. A manutenção das famílias no terreno de 20
mil metros...”
Estamos falando de área que vale, mais ou menos, 40 a 60 milhões de
reais.
Continuando: “- propriedade
do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), da Polícia
Militar e da Fazenda do Estado - foi determinada pela Justiça em abril,
em decisão de ação civil pública movida pela Defensoria e pela
associação de moradores da favela. O projeto apresentado pela
administração municipal prevê a construção de áreas de lazer, creches e
unidades habitacionais, que serão vendidas aos interessados em
permanecer no local com financiamento público para pessoas de baixa
renda.”
Vão vender a que custo? O
metro quadrado por dois ou três mil reais? Pessoas precisam fazer curso
de custo sobre planilhas. Por quê? Porque, em habitações de interesse
social, o valor máximo do metro quadrados deve custar 300 reais, e não
três mil reais. Com esse valor, dá para serem feitas dez vezes mais
áreas de interesse social na cidade de São Paulo.
Continuando: “Na época da
disputa judicial, das 815 famílias cadastradas na favela, 230 declararam
preferir verba indenizatória de R$ 5 mil.” Sou contrário a isso.
Precisam dar habitação social e não dinheiro, porque dá para serem
comprados mais de 150 metros quadrados com cinco mil reais.
Continuando: “75 preferiram
se mudar para um conjunto de CDHU em Campo Limpo; e outras 166
preferiram receber R$ 8 mil para adquirir outro imóvel em área pública.”
Também sou contrário a dar dinheiro a essa parcela da população. Temos
de lhes dar moradia, a baixo custo, porque senão as coisas ficam muito
fáceis.
Continuando: “A Defensoria,
no entanto, resolveu impedir as transferências sob o argumento da
“efetivação do direito à cidade”. Para os defensores públicos, a
expulsão da população para a periferia exclui quem precisa de
infra-estrutura, agrava o trânsito, ao obrigar que essa população
realize grandes deslocamentos entre a casa e o emprego, e ameaça com
novas invasões as áreas de preservação de mananciais.
É preciso considerar, no
entanto, que praticamente metade das famílias residentes na Favela do
Jardim Edite já tinha feito sua opção de sair dali.”
Quer dizer, das 815
famílias, metade já tinham feito opção de saírem de lá.
Continuando: “São pessoas que não têm emprego nem qualquer outro vínculo
com o lugar. Com a redução da área ocupada, seria possível diminuir o
impacto causado pela presença de um conjunto habitacional para a
população carente numa área de grande valorização, cenário da operação
urbana mais bem-sucedida de São Paulo.
A Operação Urbana Água
Espraiada foi estabelecida pela Lei 13.260, de 2001, e prevê a
reurbanização de 3,3 milhões de metros quadrados nas redondezas da
Avenida Jornalista Roberto Marinho. O investimento é assegurado pela
venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs),
títulos que rendem recursos antecipados ao governo municipal e podem ser
trocados por benefícios legais. A empresa que adquire os títulos pode
construir além dos limites permitidos pelo zoneamento.”
No final da matéria,
encontramos: “Muitos empreendedores resistem a investir na região porque
temem a desvalorização que o Jardim Edite traz ao local. Além de uma
parcela de trabalhadores da área, a favela abriga gangues cada vez mais
numerosas, que agem nas redondezas cometendo seqüestros relâmpagos,
assaltos e furtos de notebooks. Nos últimos anos, o tráfico na favela
transformou a própria avenida em um ponto-de-venda de drogas a céu
aberto, agindo com audácia, chegando, até, a obrigar os ônibus a mudar
de itinerário para não atrapalhar a atividade dos traficantes.
Portanto, o direito à cidade
deve ser defendido. Mas é preciso preservar o direito da maioria,
analisando com isenção e precisão o impacto que cada medida traz ao
ordenamento da cidade. Tivesse sido reduzida a ocupação da favela, o
pólo de habitações populares seria realizado, mas em dimensões capazes
de garantir o controle da área, a segurança pública e os bons resultados
da operação urbana.”
No meu entender a defensoria
pública equivocou-se ao ajuizar a ação civil pública. Uma coisa é o
direito à Cidade, outra é a prevalência do interesse público, defendido
pela Prefeitura de São Paulo que, logicamente, tenta zelar pelos
interesses locais. Particularmente fico preocupado com a decisão da
Defensoria Pública. Nós, Vereadores, temos de participar diretamente. A
Prefeitura está um pouco tímida em relação a isso. Sei que há decreto da
Prefeitura de São Paulo tornando de interesse público outras áreas do
Campo Belo que custam mais caro, quatro ou cinco mil reais o metro
quadrado. Quando for desapropriado o trecho final da Água Espraiada –
que fará a ligação com a Imigrantes – poderiam colocar naquela região,
dois quilômetros à frente, tais áreas de interesse social. A criação de
ciclovia na extensão da Água Espraiada – e há candidatos defendendo a
mobilidade – possibilitará que uma pessoa vá de bicicleta ao trabalho.
Atende à região sem problema algum. Haverá possibilidade de comprar
áreas com valores muito menores que quatro ou cinco mil reais. Este
vereador lutará para que tal não ocorra na cidade de São Paulo. O
Ministério Público e a Defensoria, que é do Estado, assim como outros
órgãos, querem dar “pitaco” na cidade de São Paulo. As eleições estão
aí. Devem se candidatar ao Legislativo ou ao Executivo para participarem
do processo democrático. É desta forma que se faz e não interferindo,
através da Justiça, da forma que estão fazendo. No meu entender está
totalmente equivocado o procedimento e lutarei para que não ocorra em
nossa cidade, além de lutar pelo planejamento ordenado com crescimento
da Cidade. |