Na tribuna, Aurélio
Miguel fala sobre os trabalhos da CPI do IPTU
20/08/2009
Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São
Paulo e público presente, vim a esta tribuna falar a respeito da CPI que
investiga lançamentos irregulares de IPTU e falta de lançamentos de IPTU
na cidade de São Paulo.
A princípio sentimos uma grande dificuldade na relação da CPI com o
Governo para que conseguíssemos fazer diligências conjuntas e pudéssemos
verificar, in loco, as possíveis irregularidades.
Encaminhamos diversos requerimentos aprovados na CPI pedindo informações
sobre diversos empreendimentos na cidade de São Paulo. Sei que a
Secretaria de Finanças criou uma força tarefa para atender a todos os
requerimentos da comissão.
Já conseguimos observar resultados positivos para a cidade de São Paulo.
Citarei alguns exemplos: em 2003 e 1994 houve edificações que utilizaram
a Lei de Anistia e são réus confessos que construíram além do permitido,
entraram com o projeto mostrando o que estavam construindo a maior e
queriam a legalização do empreendimento.
Curiosamente, o ISS dessas edificações foi lançado e, com estranheza,
verificamos que o IPTU não havia sido lançado. Há na Sehab,
aproximadamente, 12 mil processos, entre Sehab e Subprefeitura.
A cidade de São Paulo poderia somente lançar o IPTU retroativo há cinco
anos, uma vez apontada a construção a maior.
Estranhamente, não foi feito isso com 12 mil processos e a cidade de São
Paulo perdeu, portanto, a possibilidade de arrecadar o ano de 2003 e
calculo que a perda que o município teve foi de, aproximadamente, 100
milhões de reais, senão muito mais.
Pergunto-me quem será responsabilizado por esse dinheiro que não entrou
nos cofres públicos. Será o Secretário de Finanças? O Secretário da
Habitação? O Secretário da Subprefeitura? O Sr. Prefeito? O Secretário
de Negócios Jurídicos? Quem será responsabilizado?
Essa pergunta fica “no ar” e quero encontrar a resposta.
A minha preocupação, no momento, é não perder a possibilidade do
lançamento de 2004 e para isso a CPI enviou ao Sr. Prefeito, ao
Secretário de Negócios Jurídicos, ao Secretário de Habitação, ao
Secretário de Subprefeituras e ao Secretário de Governo que nos
atrapalha muito nas reivindicações, não está cedendo os funcionários que
são capazes de fazer as diligências necessárias para que a cidade de São
Paulo tenha, realmente, justiça tributária, o que hoje não ocorre.
Observamos também a Planta Genérica de Valores que é um verdadeiro
absurdo. Por exemplo, o Estádio Palestra Itália tem o metro quadrado
lançado a 2.100 reais, enquanto o Shopping Bourbon, seu vizinho, 680
reais. Verificamos que o Grêmio Recreativo Cultural e Social Escola de
Samba Vai Vai o metro quadrado está lançado a 900 reais, e o Shopping
Villa-Lobos somente com 200 reais.
Só queria dizer que o trabalho da CPI não existe com o fim de encarecer
ainda mais a vida do cidadão paulistano, não aumentará o valor do IPTU,
mas sim para fazer justiça tributária, de forma que seja pago o valor
devido e que o lançamento seja feito de acordo com o que a legislação
determina.
Muito obrigado, Sr. Presidente. |