Para vereador, empresa
desrespeitou contrato firmado com SMS
25/09/2009
Comissão quer
saber ainda as consequências da falta dos 608 veículos para combate às
endemias
Os diretores da holding Partsil Empreendimentos e Participações foram
ouvidos, nesta quinta-feira (24/09), na 11ª reunião extraordinária da
Comissão de Finanças e Orçamento, da Câmara Municipal de São Paulo. A
empresa compareceu para explicar contratos e aditamentos em vigor com a
Secretaria Municipal de Saúde.
Até junho deste ano, a Partsil prestava serviços – contratados
emergencialmente - à SMS e à Coordenadoria de Vigilância Sanitária (COVISA)
operando frotas compostas de 608 veículos. Há três meses, com a rescisão
do contrato, a Prefeitura não conta mais com esse número de carros. Por
essa razão, os vereadores chegaram a deduzir que esses 608 veículos não
fizeram falta. “O que eu sei é que houve remanejamento de veículos de
outras Secretarias para cumprir o essencial”, informou o diretor de
transportes da Partsil, Aluisio Nascimento.
A empresa atualmente disponibiliza Gols e Kombis (com motorista,
combustível e manutenção) para a Coordenadoria de Saúde Sul, também
contratados em caráter emergencial.
O vereador Milton Leite (DEM) ficou impressionado com o fato de a
empresa responder a 400 ações trabalhistas e de ela desrespeitar
cláusulas contratuais, em relação ao seguro dos veículos e ao ano de
fabricação dos mesmos (os carros são de modelos mais antigos do que os
exigidos legalmente). “Aqui cabe ação penal. Firmar contrato com um ente
público, sem estar habilitado, é grave. Vou propor uma representação
contra as partes”, anunciou, durante a oitiva. Além disso, existe um
parecer de agosto de 2008 do Tribunal de Contas do Município
desaconselhando a conduta da TP, empresa que integra a Partsil.
Quanto à operação com veículos fora de época, Aluisio Nascimento alegou
que alguns veículos deles não foram renovados a pedido de funcionários
da Prefeitura.
“Brasil Dez” ou Partsil?
Milton Leite estranhou também o fato do então secretário-adjunto
substituto da SMS, Carlos Fernando Dal Sasso de Oliveira, ter despachado
o processo de licitação classificando a TP, quando havia recomendação da
coordenadora e da procuradora da COVISA de escolha da empresa Brasil
Dez. Dal Sasso desconheceu o encaminhamento delas, cancelou o processo,
mesmo depois ter solicitado reserva de orçamento e convidou a TP a
fornecer preço visando contratação. A TP substituiu a empresa Locar,
cujo contrato com a administração municipal havia sido rescindido.
“Os diretores da empresa admitiram que cumpriram o contrato de forma
irregular, não caracterizando a emergência que haveria, e que
infringiram a legislação do trabalho. Isso é uma denúncia gravíssima.
Nós vamos representar tanto à Procuradoria do Trabalho quanto à
Procuradoria Criminal. Houve crime de colaboração para fraudar a Lei de
Licitações. Também temos de tomar cuidado com esses agentes públicos que
pediram para a empresa descumprir o contrato, porque gostavam ou não
gostavam do motorista. Agente público tem de ser imparcial”, destacou
Milton Leite à nossa reportagem.
Os representantes da Partsil vão prestar mais esclarecimentos numa das
próximas reuniões extraordinárias da Comissão. Compareceram à reunião os
vereadores Wadih Mutran (PP), presidente; Arselino Tatto (PT); Roberto
Trípoli (PV); Adilson Amadeu (PTB); Milton Leite; Gilson Barreto (PSDB),
Aurélio Miguel (PR) e Floriano Pesaro (PSDB). |