Relatório da CPI do IPTU
deve apontar diversas distorções em lançamentos
30/11/2009
Morosidade na expedição de documentos e o baixo número de fiscais foram
grandes entraves encontrados
A
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os lançamentos do
Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) chegou à sua última reunião,
nesta sexta-feira (27/11). Durante os sete meses de trabalho, os
parlamentares puderam constatar diversas irregularidades em
empreendimentos do município. A morosidade na expedição dos documentos e
o baixo número de fiscais foram os grandes entraves encontrados.
“É um misto de tudo, a demora na obtenção de documentação, a falta de
auditores, a falta de lançadores. Há tempos que a fiscalização não
existe”, enfatiza o vereador Adílson Amadeu (PTB).
Em sete meses, os parlamentares puderam levantar que cerca de 3 milhões
de metros quadrados construídos no município não estavam lançados.
Estimativas apontam que com estes lançamentos a Prefeitura possa
arrecadar cerca de R$ 400 milhões. Durante os trabalhos, a Comissão
também pode verificar grandes diferenças na Planta Genérica de Valores (PGV).
Na última reunião da CPI, oito Subprefeituras foram convidadas para
falar da documentação de grandes empreendimentos de suas regiões. Os
proprietários do grupo Sonda também participaram dos debates e sugeriram
aos vereadores mudanças nos processos de obtenção de alvará de
funcionamento. O grupo possui 18 lojas em São Paulo e algumas não
apresentam licenças.
“Há uma dificuldade muito grande na obtenção de informações de quais
procedimentos devemos tomar. Em 120 dias conseguimos construir uma loja
e colocar em funcionamento, porém, neste mesmo tempo, não sai todos os
documentos necessários”, disse Clayton Santin, representante da área de
tributos do grupo. Santin ainda explicouque em uma das lojas existe um
pedido de reforma de dezembro de 2007 que não teve resposta da
Prefeitura até o momento.
“Não pode ocorrer um caso como o que vimos. Entram com pedido de reforma
em 2007 e até o momento ainda não obtiveram um retorno? É um absurdo!
Isso faz com as pessoas recorram ao Poder Judiciário para fazer valer os
seus direitos”, ressalta o vereador Aurélio Miguel (PR), presidente da
CPI.
“Os parlamentares têm de cobrar do Executivo, e este, por sua vez, mudar
a postura da forma das concessões. E as pessoas entenderem que a regra é
igual para todos; não pode ser de um jeito para ‘A’ e de outra maneira
para ‘C ‘”, explica Miguel.
O relatório final deve ser entregue até o dia 10 de dezembro pelo
vereador Donato (PT).“Entendo que devemos encaminhar todo o trabalho ao
prefeito e ao Ministério Público, pois as distorções que estão
acontecendo na cidade são brutais”, finaliza Amadeu.
Participaram do encontro os vereadores Abou Anni (PV), Wadih Mutran (PP),
Claudio Fonseca (PPS), Adilson Amadeu, Arselino Tatto (PT) e Aurélio
Miguel, presidente. |