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O começo de Aurélio Miguel como judoca não foi muito fácil. Vestiu seu primeiro quimono obrigado pelo pai, o catalão Aurélio Marin. Pisou no tatame por determinação do pai e orientação médica, para safar-se de problemas respiratórios. Foram tempos difíceis para o garotinho de apenas quatro anos. Depois de freqüentar a academia do São Paulo FC., até hoje seu time preferido, passou a treinar na academia da Vila Sônia do "sensei" Massao Shinohara, onde se exercita até hoje. Tem pelo velho mestre um incrível respeito e a ele credita muito do que sabe.

A segunda dificuldade enfrentada por Aurélio Miguel no judô foi durante as primeiras competições. O atleta, então com sete anos, detestava a idéia de disputar torneios. "Ficava horrorizado. Escapava como podia. Mas meu pai era duro e exigia", lembra o campeão olímpico de 88 (medalha de ouro no meio-pesado nos Jogos Olímpicos de Seul). Além dos treinos na academia, o Seu Aurélio passava a lição de casa para os filhos Aurélio Miguel e Carlos Augusto. "Tínhamos que fazer ginástica no quintal. Se não fizesse, o couro comia", recorda.

Aos poucos Aurélio Miguel foi se acostumando ao judô e, em 72, conquistava seu primeiro título: campeão pré-mirim do Torneio Budokan. Foi campeão paulista da categoria diversas vezes, lutando na categoria pesado. Nos anos seguintes somaria inúmeros títulos regionais e nacionais. Em 1980 já era agraciado como o melhor judoca do estado de São Paulo.

O primeiro título internacional de Aurélio Miguel foi conquistado na Finlândia em 82. Ficou com o segundo lugar por equipes no Campeonato Mundial Universitário e, logo em seguida no Chile, tornou-se pela primeira vez campeão pan-americano adulto no meio-pesado. Foi neste ano que o judoca cumpriu seu primeiro estágio no Japão (30 dias).

No ano seguinte, em Porto Rico, Aurélio Miguel sagrou-se campeão mundial na categoria júnior. Foi vice nos Jogos Pan-americanos de Caracas, campeão sul-americano e considerado pelo Comitê Olímpico Brasileiro o melhor judoca do país em 83. Encerrou a temporada com mais 30 dias de treinos no Japão.Em 84 Aurélio Miguel descobriu o Circuito Europeu, fato que teria incrível importância no desenvolvimento de seu judô e de diversos outros atletas do Brasil. Todos os anos, em diversos países da Europa, durante o inverno (janeiro, fevereiro e março), eram realizados campeonatos de judô reunindo atletas de todos os continentes. Aurélio foi o primeiro brasileiro a participar deste "tour".

Em 84 Aurélio Miguel ganhou quatro medalhas de bronze no Circuito (Hungria, Tchecoslováquia, Alemanha e Hungria), foi vice na Inglaterra e campeão na Bélgica. Naquele mesmo ano enfrentou 60 dias de estágio no Japão. Ainda em 84 Aurélio conquistou mais um título mundial: na França, vencendo o Mundial Universitário entre os meio-pesados e ainda ficando em terceiro na categoria absoluto. Foi novamente eleito o melhor atleta do ano pelo COB. Por questões políticas entrou em confronto com a Confederação Brasileira de Judô, sendo cortado da equipe olímpica que participou dos Jogos de Los Angeles.

No ano seguinte Aurélio Miguel foi mais econômico em suas conquistas. Mesmo assim, venceu o Pan-americano em Cuba, foi terceiro na Copa do Mundo da França, vice nos Jogos Mundiais Universitários de Kobe (Japão) na categoria meio-pesado e terceiro no absoluto da competição, além de títulos regionais e nacionais. Passou outros 45 dias treinando no Japão.

Em 86 o judoca estagiou três meses no Japão na Universidade de Budo. Conquistou a terceira colocação na tradicional Copa Jigoro Kano, um dos eventos mais prestigiados do calendário internacional. Campeão Brasileiro universitário no meio-pesado e vice no absoluto, contundiu-se, ficando fora do Mundial Universitário, disputado em São Bernardo do Campo (SP). Ficou algum tempo parado após sofrer uma cirurgia no ombro direito.

Depois de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 87 (Indianápolis - EUA), Aurélio Miguel ganhou a medalha de bronze no Mundial de Essen (Alemanha). No mesmo ano venceu a tradicional Copa Ramón Rodrigues, disputada em Cuba.

A maior conquista de Aurélio Miguel e do judô brasileiro aconteceu em 88, nos Jogos Olímpicos de Seul. Venceu na luta final da categoria meio-pesado ao alemão Marc Meilling, ficando com a medalha de ouro olímpica. Naquele mesmo ano ele havia conquistado três medalhas de ouro no Circuito Europeu (Bulgária, Alemanha e Hungria), uma de prata (Paris), além de vencer o Pan-americano na Argentina, o Torneio Internacional de Leonding (Áustria) e ficar em terceiro em Tblisi (então União Soviética). Ele estagiou 30 dias no Japão antes dos Jogos Olímpicos.

Depois de se afastar em 89 das competições oficiais por divergências com a direção da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Aurélio e seus companheiros, com intermediação da Secretaria de Esportes da Presidência da República, passaram, em 91, a negociar a volta aos tatames. A princípio descartou qualquer possibilidade de acordo, mas curvou-se aos argumentos apresentados por Bernard Rajzman, então Secretário. Sonhando em dar seqüência a sua vitoriosa carreira, aproveitou para apresentar uma série de reivindicações que beneficiassem os judocas brasileiros.

Depois de muitas reuniões e discussões, o acordo foi fechado no início de 92. O judô brasileiro ganhou uma seletiva justa para a formação de sua equipe olímpica, fato até então inimaginável para judocas. A volta de Aurélio Miguel e de seus parceiros de luta às atividades internacionais pôde ser sentida nas Olimpíadas de Barcelona, mesmo com os atletas estando fora de suas melhores condições físicas. Um deles, Rogério Sampaio, foi ouro na categoria meio-leve.

Em Barcelona, terra de seu pai, Aurélio Miguel não foi bem. Já sentia os problemas que culminariam com uma cirurgia no ombro esquerdo, em novembro de 92. De volta às competições internacionais, sagrou-se vice-campeão mundial em Hamilton (Canadá), em setembro de 93. Em 94 iniciou uma forte preparação para o futuro, passando até por uma cirurgia no joelho esquerdo para sanar uma lesão que o incomodava há anos.

Já recuperado, adiou o sonho de conquistar o único título oficial que ainda não possuia - o do Campeonato Mundial sênior - e não foi à disputa no Japão em outubro de 95. O único obstáculo que o atleta enfrentava era a falta de patrocínio. Então casado e com dois filhos, o judoca precisava de apoio para seguir treinando. Com o apoio da Embratel, Aurélio partiu com tudo em busca do sonho maior: ganhar o bicampeonato olímpico em Atlanta. Dedicou-se como nunca aos treinos. Perdeu quase 20 quilos para enquadrar-se na sua categoria de peso (até 95 quilos). Viajou para a Europa, "internou-se" por mais de 30 dias no Japão, onde sempre buscou inspiração para suas conquistas. Desembarcou em Atlanta com o estigma de vencedor.

"Em uma Olimpíada, ganhar bronze ou ouro significa muito. É apenas uma questão de detalhes", diz sempre Aurélio Miguel. Quis o destino que o campeão de Seul subisse novamente ao pódio, desta vez para colocar no peito a medalha de bronze. E como ele comemorou essa conquista! Incentivado pelo bronze, o atleta se colocou diante de novo objetivo: conquistar em Paris, o título Mundial que tanto buscava. "Quero fechar o 'Grand Slam'. Só falta o Mundial", avisou na ocasião. Em outubro de 97, quase atingiu a glória proposta. Lutando como um garoto, chegou à disputa pela medalha de ouro. Ficou com a prata, inconsolável diante da atitude da arbitragem na luta final. Seu adversário, o polonês Pawel Nastula usou o judô negativo, fugindo do combate o tempo todo. "Agiu assim, contrariando o que determina a Federação Internacional de Judô e não foi punido pela arbitragem. Eu não tenho nenhuma dúvida, lutei melhor que ele" desabafou Aurélio após colocar no peito a terceira medalha que conquistou em um Mundial das três edições que participou.

O judoca não desistiu. Houve mudanças nas regras e sua categoria passou a ser até 100 quilos. Agora, o judoca enfrentaria verdadeiros gigantes. No Mundial de 99, na Inglaterra, após um tempo sem preparação adequada, Aurélio Miguel não se apresentou bem. Colocou então como seu objetivo principal batalhar pela segunda medalha olímpica de ouro.

Passou a treinar como um touro. Mas outra contusão quase colocou um ponto final em sua carreira. No dia 15 de fevereiro de 2000, no Hospital Albert Eisntein, Aurélio enfrentaria delicada cirurgia no joelho direito. Sob os cuidados da equipe do ortopedista Wagner Castropil - judoca companheiro no levante de 89 e da seleção olímpica de 92 - entregou-se a um trabalho intenso de recuperação.

Na época, Aurélio estava representando as cores do Flamengo. Com o apoio de Prefeitura, da R9 e do clube carioca, contou com as condições necessárias para se recuperar da cirurgia em tempo recorde. Entrou para as seletivas de agosto de 2000 em boas condições de fôlego e psicológicas. Entretanto, não teve o tempo que desejava para aprimorar sua condição técnica e física. Mas Aurélio não conseguiu a vaga para aquela que seria a sua quarta Olimpíada.

Em 2001, Aurélio decidiu encerrar sua vitoriosa carreira esportiva. Mas decidiu continuar lutando em outra arena: a política partidária. Em 2002 foi candidato à deputado federal pelo PPS. Não foi eleito, mas somou importantes experiências. Em 2004, decidiu disputar uma vaga à Câmara Municipal de São Paulo. Inscrito pelo PR (antigo PL), foi eleito com 38.419 votos, sendo o 26º mais votado dos 55 vereadores escolhidos. "Continuo o mesmo. Estou determinado a trabalhar pela s saúde, educação e esporte. Creio que esse é o caminho para se construir uma sociedade mais justa e formar cidadãos", declarou o vereador. Em 2008, Aurélio candidatou-se novamente a um novo mandato. Com 50.084 votos, conseguiu a reeleição. Seu mandato como vereador vem sendo marcado por muito trabalho. Além de apresentar Projetos de Lei nas áreas do Esporte, Saúde, Transportes e Proteção Animal, dentre outros, Aurélio presidiu três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) nos últimos anos que geraram importantes resultados para o município.

CPI do IPTU

CPI dos CDMs

CPI da Covisa

Atualmente, Aurélio Miguel é líder do PR na Câmara Municipal.

Perfil do Atleta

  • Nome: Aurélio Fernandez Miguel

  • Nascimento: 10 de março de 1964, em São Paulo

  • Pais: Miguel Marin (industrial) e Maria Catalina F. Miguel (falecida)

  • Instrução: 2º ano de Adm. e Ciências Contábeis

  • Altura: 1m82

  • Esposa: Michele, economista

  • Filhos: Marco Aurélio e Beatriz

  • Início no judô: em 1968, no São Paulo F.C. por problemas de saúde

  • Início em competições: aos sete anos, na Academia de Vila Sônia

    Principais títulos

  • Campeão Olímpico de Seul (88) - Coréia do Sul

  • Medalha olímpica de bronze em Atlanta (96)

  • Campeão Mundial Júnior (83) - Porto Rico

  • Campeão Mundial Universitário (84) - França

  • Campeão Jogos Pan-americanos (87) - Estados Unidos

  • Campeão Pan-americano: 82/85/86/88/92/96 e 97

  • Vice-campeão Mundial em 93 ( Canadá) e 97 (Paris)

  • Medalha de bronze no Mundial de 87 (Alemanha)

  • Bicampeão Open dos EUA (93 e 94)

  • Eleito melhor do século pela UPJ e um dos 50 maiores pela FIJ

    Perfil do Político

  • 2004 - Eleito para o primeiro mandato como vereador na cidade de São Paulo

  • 2005 – Eleito Vice-presidente da Câmara Municipal de SP

  • 2005 - Presidente da CPI dos Clubes Desportivos Municipais

  • 2005 – Presidente da Comissão de estudos do Mobiliário Urbano

  • 2005 – Vice-presidente da Subcomissão de Polos Geradores de Trâfego

  • 2006 – Membro da Comissão de Contituição e Justiça

  • 2006 - Membro da Comissão de Segurança Pública e Juventude

  • 2006 - Membro da Comissão Permanente de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica

  • 2007 – Membro da Comissão de Finanças e Orçamento

  • 2007 – Membro da Comissão de Estudos do Conpresp

  • 2008 – Vice-presidente da CPI do ISS dos bancos

  • 2008 – Membro da Comissão de Finanças e Orçamento

  • 2008 – Eleito para o segundo mandato como vereador na cidade de São Paulo

  • 2009 – Presidente da CPI do IPTU

  • 2010 – Membro da Comissão de Finanças e Orçamento

  • 2010 – Presidente da CPI da COVISA

  • 2011 – Membro da Comissão de Constituição e Justiça

"Instituto Aurélio Miguel. Assista e Participe!"

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